VOCÊ É
DEMAIS
“Graças
te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste...
os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto
fui formado... Os teus olhos me viram a substância ainda
informe...
(Salmo 139.14-16)
3000 anos antes da
invenção do aparelho de ultra-som o Espírito
Santo revela a Davi que Deus já sondara o interior do ventre
de sua mãe desde a sua concepção e garantiu
com a Sua mão que do encontro de duas células ocorressem
bilhões de multiplicação até que um
ser único começasse a surgir.
Da mesma forma aconteceu
com você que está lendo esse texto. Você foi
formado de um modo assombrosamente maravilhoso e Deus o dotou
de um cérebro capaz de armazenas bilhões de informações,
solucionar os problemas mais intrincados, imaginar e fazer coisas
que computador algum existente no mundo pode fazê-lo. Nenhum
motor é igual ao seu coração que bombeia
9 mil litros de sangue por dia e ao longo de sua vida vai bombear
uma quantidade capaz de encher 23 mil caminhões-tanque
com capacidade de 10 mil litros cada. Seu sistema nervoso, pulmões,
olhos, ouvidos, fazem operações tão complicadas
que nem uma rede dos mais avançados computadores conseguiria
igualar.
Você foi sonhado
por Deus e planejado para ser único. Em todo o planeta
Terra nunca houve e nunca haverá ninguém igual a
você. Você é único no seu jeito de falar,
pensar, sorrir, a forma que come, o jeito que dorme, o seu olhar,
a sua forma de amar....
Deus lhe fez com potencial
que talvez você ainda não descobriu, capacitou-o,
dotou-o de força, graça e sensibilidade.... e quebrou
o seu molde para que nunca mais haja ninguém igual a você.
A única coisa
que Deus deseja é que “você seja você”
– sem tirar nem pôr. Você tem a sua identidade
que o diferencia de todos os outros humanos. Seu pai e sua mãe
são “eles”, o que significa que você
nunca poderá ser-lhes igual, sem que você com isso
perca alguma coisa.
Paulo diz: pela graça
de Deus sou o que sou. É isso aí! Nem mais nem menos.
Mas vai aqui um alerta:
talvez você ainda não esteja vivendo o seu verdadeiro
eu. Talvez o que esteja mostrando ao mundo não é
“inteiramente” você. Explico: muitas vezes na
infância temos medo de expressar nosso verdadeiro sentimento,
temendo perder o amor de alguém, ou crescemos julgando-nos
inferiores – sentimento de vergonha – e então
escondemo-nos atrás de uma máscara que não
expressa o nosso verdadeiro eu. Percebe? É por isso que
há tanta gente sentindo um vazio dentro de si, e não
sabe muito bem explicar porquê, é por isso que muita
gente não sabe se gosta de tal coisa ou não gosta,
ou então não consegue decidir sobre o que fazer
diante de uma determinada situação. É que
acaba havendo um conflito lá dentro entre o verdadeiro
“eu” (escondido) e o personagem (o palhaço,
o zangado, o forte, o frágil) que você criou no decorrer
dos anos.
A timidez pode esconder
um ser vívido e alegre que sempre foi impedido quando criança
de manifestar-se. A raiva pode esconder alguém que está
sufocado. A falta de afetividade pode ocultar um ser bastante
sensível que está aí dentro. A agressividade
normalmente esconde um ser frágil e acuado que está
pedindo socorro.
É triste observar
que o mundo de hoje produz jovens sem um “eu próprio”,
massificados, sem opinião própria, cada um querendo
imitar o outro, usando o mesmo linguajar, as mesmas expressões....
E a igreja, por seu lado, tem produzido “crentes clonados”:
se não pensa igual a todos, “não está
na visão” ou “não está no Espírito”
ou, ainda pior – é chamado de desviado. É
incrível como muitas igrejas legalistas, matam toda criatividade
e espontaneidade, pois para eles o diabo é que traz o diferente.
O mesmo tipo de padronização se vê no linguajar.
Será que ninguém mais sabe se cumprimentar sem ser
“pazsenhor irmão?”
Além do mundo
e de uma parcela de igrejas, o diabo é outro que tenta
desfigurar as pessoas roubando-lhes a identidade, o seu “eu”.
Aquele gadareno endemoninhado afirmava se chamar Legião
– por haver muitos, e não apenas um dentro de si.
Era um ser fragmentado, por isso não podia viver em família,
amar a esposa e brincar com os filhos. Mas quando Jesus vem em
sua vida, restaura-lhe a identidade. E o que Jesus faz depois?
Manda-o de volta para casa, pois só agora – ele sendo
ele mesmo – é que poderia viver a vida no lar.
O Espírito Santo
não rouba a identidade de ninguém, mas permite que
todo o nosso potencial seja desabrochado e vivido com toda a intensidade,
pois onde está o Espírito do Senhor, aí há
liberdade interior. E o melhor de tudo é que Deus não
terminou a obra em sua vida (Ef 2.10). Ele está apenas
começando.
Pr. Daniel
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