Vendo a cidade com os olhos de Deus

cidadeVer a cidade com os olhos de Deus é o desafio desta reflexão. Se virmos a cidade apenas com os nossos olhos, o resultado será o caos. A maioria de nós conseguiria ver muito mais o negativo, o feio, o cruel, a dor, a injustiça, a opressão, o medo e coisas semelhantes. Ver a cidade apenas com olhos humanos é frustrante e desesperançoso. Precisamos vê-la com os olhos da fé, da esperança e do amor, e isso só é possível em Deus.

Se queremos falar sobre como Deus vê a cidade, precisamos começar pelo centro de tudo, que é o amor de Deus por ela. A maioria das pessoas vê a cidade como centro de maldade, crueldade, impiedade, criminalidade, corrupção e coisas afins. É certo que todas essas situações, e muitas outras ainda, fazem parte do cotidiano da cidade. Porém, não deve ser essa a nossa abordagem da cidade. Nossa abordagem deve ser o amor de Deus – porque Deus amou o mundo. Estou convencido de que, se existe algo que necessita ser mudado em nossa perspectiva em relação à cidade, é a nossa visão, ou seja, o modo como vemos a cidade. Ouso dizer que o modo como vemos a cidade determinará o tipo de envolvimento para com ela.

Onde está Deus em tudo isso? É a pergunta que muitos fazem em meio ao caos urbano. A resposta é simples: Deus está bem no meio de tudo isso! No meio do quebrado e contundido, do atordoado e desorientado, do fraco e vulnerável, do moribundo e destruído. Ele não está confortavelmente sentado numa poltrona celestial, assistindo a vida humana com um controle remoto nas mãos. Ele está aqui, no meio da vida humana. E esse é o lugar onde a igreja deve estar também.

Aqueles que crêem que Deus está lá longe, assistindo o drama da vida, tendem a formar uma igreja distante, que não participa da vida cotidiana. Tendem também a desenvolver uma espiritualidade de geografias, ou seja, de lugares sagrados para com Ele se encontrar. Deus é, portanto, refém da nossa visão. Onde está Deus nisso tudo? Ele está aqui, no meio de tudo. Ele está onde Sua criação está. Onde o necessitado e o aflito estão ele também está, para socorrê-los. Ele está em relação e interação. É possível ver Deus exatamente de forma contrária à que aqui descrevo, mas eu me nego.

Eu entendo que Deus deseja que Sua igreja se torne um centro de hospitalidade para a cidade. Creio que a visão de Deus para a cidade é que Sua igreja seja um lugar onde todos são bem recebidos. Um centro de hospitalidade é um lugar de boas-vindas, um lugar onde as pessoas podem se sentir em casa. Isso não é simplesmente ter um comitê de recepção nas igrejas, mas ter toda a comunidade demonstrando hospitalidade para com o estrangeiro.

O que é a nossa igreja? Um coração que bate no coração da cidade. Se esse coração vai continuar batendo ou não, depende nós. Nós todos estamos nesta vida juntos. Estamos interconectados, interligados, igreja e cidade. Não somos entidades separadas, de costas uma para a outra. As portas das nossas igrejas devem olhar para a cidade e a cidade deve olhar para as portas das nossas igrejas.

A pergunta que precisa ser feita à igreja é a seguinte: onde está a minha paróquia? Que nossa resposta seja a de John Wesley: “Minha paróquia é o mundo”.

jorge
Por Jorge Henrique Barro
Extraído e adaptado de www.missaourbana.com.br.

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