Veja
Com Outros Olhos
Uma das grandes
bênçãos que temos perdido é a possibilidade
de ver a vida com outros olhos. Creio firmemente que os acontecimentos
na vida do crente não podem ser vistos e sentidos sob a
mesma ótica do descrente.
Na vida de
fé não precisamos enxergar grandes coisas, basta
saber enxergar os pequenos sinais enviados por Deus. Imagine que
você recebeu uma bonita flor de seu amado, que está
em viagem, como prova de amor. Você a coloca na janela e
a todo o momento em que olha para ela, você se sente amada.
Quando as pessoas passam em frente à sua janela percebem
que ali tem uma flor comum, igual a todas as outras. Mas não
para você, pois ela é um “sinal” daquele
que te ama. Ter fé não é enxergar coisas
que ninguém vê, mas é enxergar as coisas que
todo mundo vê, com olhos diferentes.
Por que é
importante compreender isso? Simples! Não estamos vivendo
num mundo caótico onde as coisas que nos acontecem resultam
de “sorte”, “azar” ou “acaso”.
Não habitamos num mundo dominado pelo diabo, que faz “gato
e sapato” dos cristãos, e nem as coisas acontecem
porque quem detém o controle assim o quer. Não há
um só acontecimento, por mais banal que seja, até
mesmo um pardal que cai, que não esteja debaixo da soberania
divina.
O astrônomo
quando olha para o céu vê estrelas e galáxias
em meio ao infinito. O crente olha e vê no vazio a presença
divina. Para quem tem fé as ausências falam mais
que as presenças. A religião que se vive hoje quer
encher a vida das pessoas com coisas, com sons, com imagens, com
shows, pois não suportam nem o vazio nem o silêncio.
E justamente quando tentam “capturar” o divino, Ele
foge.
É exemplar
o conhecimento do domínio soberano de Deus sobre todas
as coisas demonstrado por Sadraque, Mesaque e Abedenego, quando
ameaçados pelo rei Nabucodonosor, de serem jogados na fornalha
ardente. Eles sabiam que o poder terreno do rei era evidente,
mas eles enxergavam esse domínio terreal com olhos diferentes
dos demais súditos, pois sabiam muito bem que havia um
Deus soberano, poderoso, tremendo, e que Ele e somente Ele poderia
decidir sobre o destino deles. Informam então ao rei que
não é ele quem decide:
“- Se
o nosso Deus, quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará
da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei”
(Dn 3.17).
Os olhos daqueles
jovens não estavam postos no rei e na sua autoridade. Estavam
postos em Deus. Aliás, o povo cristão é esquisito
– conversa com o invisível, espera pelo impossível,
dá graças pelo pouco que possui, almeja viver eternamente
e recusa-se a aceitar o que os olhos de todos vêem.
Quando Paulo
está chegando ao final de sua vida, ele ocupa uma pequena
cela, possivelmente úmida e fria, pois pede a Timóteo
que lhe traga sua capa. Ali, naquele lugar de penumbra, soldados
à porta e abandonado por todos (2Tm 4.10-11) ele sabe que
vive seus últimos momentos, porém para Paulo aquele
pequeno compartimento é um santuário onde o próprio
Deus está presente e a sua vida está no altar. Ele
certamente estava mais bem servido que muitos reis em seus palácios.
Lance um novo
olhar sobre a sua vida, mas não mais na posição
de vítima dos acontecimentos, mas como parte de uma história
que não é decidida na terra, mas no céu.
O profeta
Eliseu é outro personagem bíblico que nos ensina
a vermos as difíceis situações da vida com
outros olhos. Diante do cerco militar que os sírios realizaram,
o seu jovem discípulo desesperou-se diante da visão
daqueles cavaleiros armados. Ele corre a Eliseu e pergunta: -
“Ai, meu senhor! Que faremos?”. Eliseu então
responde: “Não temas, porque mais são os que
estão conosco do que os estão com eles” (2Rs
6.16).
Teria Eliseu
ficado louco? Ele não era capaz de ver a realidade? Como
que cercado por tropas, cavalos e carros alguém pode dizer
que está tudo “sob controle”? Porém,
a avaliação de um servo que põe a sua confiança
no Senhor é diferente. Eliseu lança um outro olhar
sobre a situação. E então ora: “Senhor,
peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O Senhor
abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio
de cavalos e carros de fogo” (2Rs 6.17).
Creio que
precisamos aprender a lançar um olhar diferente em tudo
o que diz respeito à nossa vida. Crentes com olhos postos
no visível só enxergam o que tudo mundo vê
– enxergam a impossibilidade, enxergam a carência
de recursos, enxergam a derrota à vista, enxergam a situação
perdida...
Freqüentemente
nos pegamos absortos diante de um problema insolúvel aos
nossos olhos. Durante algum tempo nos martirizamos com pensamentos
ruins que podem advir daquele problema. Colocamo-nos, então,
diante de Deus, apresentamos a Ele a nossa angústia, e
depois de algum tempo – que podem ser semanas ou meses,
nada se modificou externamente, o problema continua lá,
as probabilidades não se mostraram mais favoráveis
a você, mas, algo maravilhoso aconteceu. Ao encarar a situação
que você se encontra com um novo olhar, um milagre se realiza,
algo extraordinário acontece lá dentro de você.
Tudo continua igual, mas tudo mudou. O seu olhar é diferente.
Naquela sua necessidade que precisava ser solucionada, você
descobriu que sua maior necessidade era estar com Deus e olhar
com os olhos de Deus.
Moisés
não se atemorizou diante do faraó, antes, permaneceu
firme “como quem vê aquele que é invisível”
(Hb 11.27).
Lance um novo
olhar sobre a sua vida, sobre os seus filhos, sobre a sua família,
sobre a sua igreja. Em todos esses aspectos da vida Deus colocou
uma flor em sua janela. Você não viu?
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