QUANDO OS SONHOS FRACASSAM!

A expectativa não se realizou? As tentativas se mostraram frustradas? Fez tudo o que estava ao seu alcance? Perdeu o sono buscando soluções? Desenvolveu um quadro de ansiedade que acabou por piorar a situação? Os “especialistas” de plantão já deram o veredicto? Morreu a esperança? Sente que chegou ao fim da linha?

Todo impedimento causado a um filho do Deus Altíssimo normalmente é visto como “coisa do demo”. Isso, em parte, é verdade. Não é à toa que Diabo (do grego diabolos) significa “adversário”. Certa ocasião, quando o apóstolo Paulo pretendia visitar os irmãos de Tessalônica, ele disse que por duas vezes Satanás lhe “barrou o caminho” (1Ts 2.18). Ou seja, ele reconheceu ali uma ação dos infernos para que não se reunisse com a igreja.

Não obstante, seria um erro afirmar que todo impedimento vem do tinhoso. Não é esta a visão bíblica. Numa outra oportunidade, Paulo e Timóteo foram “impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia”. E mais, tentaram ir para outra cidade, Bitínia, “mas o Espírito de Jesus não o permitiu” (At 16.6-7). Outro que teve seus intentos frustrados por Deus – e não pelo Diabo – foi Davi. Nasceu em seu coração o desejo de construir um templo para guardar a Arca. E quem haveria de se opor a idéia tão brilhante do rei? Entretanto, o Senhor lhe impediu.

Quando valorizamos demais a ação do Inimigo criamos uma obsessão por ele que não condiz com a fé cristã nem com a Soberania Divina. Na verdade, há muitos fatores que levam ao fracasso e ao insucesso. Vejamos:

· Muito cristão fiel não consegue promoção simplesmente porque não é suficientemente esforçado e nunca se importou em especializar-se na área;

· Muito empresário crente não vai pra frente porque sua loja está localizada na pior rua do bairro, e não por culpa de um “encosto” em sua vida.

· Muito vestibulando ora ao Senhor com fé autêntica, mas não se prepara adequadamente durante o ano, e na hora “H” espera que o Espírito Santo lhe sopre a resposta.

· Há muita gente querendo segurar o namoro/noivado/casamento na base da oração, mas não se esforça para agradar o(a) parceiro(a) ou mudar aquilo que tem sido empecilho.

· Algumas vezes a vida nos diz “não” porque se tem uma “visão romântica” da realidade: sonha, engendra planos, mas não pondera, não mede conseqüências, não avalia corretamente, e coloca a realização do desejo como alvo a ser atingido a qualquer custo. E, sejamos honestos: Nem sempre Deus está no negócio!

Certos planos são de fato frustrados pois realmente não mereceriam nem ter nascido, frutos que eram de uma febre da alma. Aliás, o quanto antes eles se mostrarem irrealizáveis, melhor. Deus não é obrigado a avalizar aquilo que Ele não propôs, nem nasceu de Seu coração. Deus não chancela sonhos megalomaníacos, desejos egoístas, ou planos que pretendam tão somente atender caprichos de uma mente mimada e infantil. Ele próprio se encarregará de frustrá-los, quando estão sobre uma visão distorcida, ou sobre uma mentira: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4.3)

É um resquício de infantilidade quando imaginamos que todos os nossos desejos podem ser realizados. Muitos crentes valem-se erroneamente do Salmo 37.4: “Agrada-te do Senhor e ele satisfará aos desejos do teu coração”. Ora, aquele que de fato se agrada do Senhor, buscará os desejos que nasceram Dele. Salomão dizia que o coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem do Senhor (Pv 16.1). O coração é enganoso e desesperadamente corruptível... haveria Deus de atende-lo? Não é porque você “sentiu no coração” que é da vontade do Pai.

Imagine um oleiro cristão que pede a Deus sol forte para secar seus tijolos, e o seu vizinho, igualmente cristão, encontra-se com ele na igreja, e pede ao Senhor chuva intensa para não perder a lavoura. O mundo seria caótico se os desejos do coração fossem – sempre – atendidos. A seguir-se esse raciocínio, os cargos públicos, por exemplo, só seriam preenchidos nos concursos por homens e mulheres de fé. E Deus deixaria de fora os competentes (o que o tornaria um Deus injusto).

Não posso deixar de falar dos sonhos e projetos aos quais foram entregues no Altar do Senhor, devidamente ponderados, analisados não somente com o coração, mas também com o uso da razão, projetos que, dentro da visão da época, receberam a paz de espírito necessária para ir em frente. Mas.... por motivos que desconhecemos, entrou em colapso, fracassou, trouxe dor, feriu...

Lembre-se: Deus é Deus também dos sonhos fracassados. O mesmo Senhor que frustra pode ser também o Deus que dá “infinitamente mais do que pedimos e pensamos”. Quando perdemos algo que tanto amamos, na mesma hora em que se dá a perda o Deus do Universo preenche aquele vazio com a Sua presença, Ele nos pega ao colo e envia o Seu Espírito para nos consolar e enxugar toda lágrima.

Amo a Deus quando atende aos desejos do meu coração, e me concede vitória e reconhecimento. Creio no Javeh Rafah (Deus que Sara), Javeh Jireh (Deus que provê). Mas também tenho aprendido a reverenciar e submeter-me ao Deus que impede, que tira, que entristece. É Ele quem “tira a vida e a dá, faz descer à sepultura e faz subir” (1Sm 2.6). Há a tristeza segundo o mundo, que nos faz piores, mas a tristeza advinda de Deus produz sempre frutos saudáveis (2Co 7.10). O Senhor deu, o Senhor tomou, bendito seja o nome do Senhor.

Pr. Daniel Rocha

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