O avivamento de que precisamos (1ª. parte)

coracaoVárias igrejas locais têm experimentado o que se tem chamado de avivamento, reavivamento ou despertamento espiritual. Esse avivamento tem se caracterizado mais pela ênfase no louvor, nas orações e nos testemunhos. Por causa de alguns exageros e de certas influências, distorções e divisões no passado, hoje muitos nem querem ouvir falar em avivamento. É uma expressão que é vista por eles como negativa, indicando retrocesso e alienação. Existe um certo trauma em várias pessoas. Existe também uma formação conservadora, que considera as orações emotivas e os cânticos alegres como falta de equilíbrio e, portanto, algo “antimetodista”.

O avivamento da Igreja, no entanto, existe na tradição metodista desde o começo, com João Wesley. O “coração aquecido”, a ênfase na santificação, as pregações em praça pública, as orações em grupo, que traziam convencimento do pecado e conversões, são marcas do Metodismo, um movimento avivado que sempre foi.

É importante termos consciência, porém, de que o avivamento metodista, originariamente, sempre teve uma característica diferente da maioria dos demais avivamentos. Ele sempre esteve de mãos dadas com a santidade e a missão, sim, mas também com o serviço e a ação cristã na comunidade, no mundo. Por isso vemos João Wesley e os primeiros metodistas lutando na Inglaterra do século XVIII contra a escravidão, apoiando os operários explorados, combatendo o alcoolismo, criando instituições de serviço social etc. Era a prática do amor ao próximo, do testemunho do amor de Deus ao mundo!

O grande problema, quando falamos em avivamento hoje, é que muitos querem ter como modelo o avivamento de outras igrejas evangélicas e, pior, o avivamento de determinados líderes religiosos. Claro que isso está errado. O avivamento não é um jeito que se possa copiar, e sim resultado de quebrantamento, busca e submissão ao Espírito Santo. Não devemos ficar copiando experiências de outras igrejas e seguindo normas e experiências pessoais de outros líderes. Devemos ouvir o que o Espírito quer de nós hoje, à luz da Bíblia e da tradição metodista. Devemos respeitar a forma de louvar e de orar de cada um. Devemos deixar o Espírito agir. Nada deve ser imposto. “Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito”, diz-nos Deus em
Zacarias 4:6.

O avivamento é para determinados momentos históricos, é resposta a um tempo e a um lugar; não deve se limitar apenas ao louvor, orações e testemunhos. O avivamento não nos tranca dentro da Igreja, mas nos empurra em missão pelo mundo. Ele não nos leva a ser indiferentes aos problemas sociais, ao sofrimento presente em nossa comunidade e a nos curvar diante dos poderes deste mundo. O avivamento não é fuga, mas poder de Deus; é unção de Deus; é muita fé; é fruto do Espírito.

A ação dos profetas no Antigo Testamento nos ensina que Deus procurou despertar (avivar) o seu povo também para a prática da justiça e da fraternidade, num ambiente de corrupção, egoísmo e injustiças (Mq. 6:1-16; Am. 5:1-27). Os profetas procuraram despertar o povo de Deus para deixar os ídolos da época e seguir ao verdadeiro Deus
(Is. 52:1-12; Os. 14:1-8). Deveriam cuidar uns dos outros, para que não houvesse pobre entre o povo de Deus
(cf. Dt. 15:4 e 11). A existência de pobre era sinal de que a aliança com Deus estava quebrada, que a fraternidade não existia.

Rev. Odilon Chaves, da Igreja Metodista em Carmo (RJ)

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