A ERA DA SENSAÇÃO

Vivemos na era da sensação. As pessoas, para se sentirem vivas precisam cada vez mais, de muito estímulo sensorial (olhos, ouvidos, tato, mente):

• Hoje em dia já não basta ouvir música: tem de se ouvi-la muito alto, num aparelho de pelo menos 1000 watts para garantir ao seu possuidor uma sensação de prazer.

• A qualidade de um show não é avaliada pela qualidade, mas sim pela quantidade de equipamento utilizado.

• Quer ver um bom filme? Tem de ter muitos efeitos especiais, e de preferência que supere aos filmes anteriores.

• A moçada precisa estar com a mente a "mil". A bebida e a droga são ótimas para estimular uma sensação diferente. A vida seria monótona demais sem elas....

Estes sentimentos invadiram também a Igreja. É o domínio da sensação, ou melhor, o demônio da sensação. Eu chamo de demônio porque ele desvia a atenção do Principal. Ter fé já não basta. É preciso Ter também a sensação volatizada.

Para atender a essa necessidade de estímulos, transformou-se o culto num grande caleidoscópio. É preciso ter muita sensação, muitas atrações, uma atrás da outra. O momento de "oração silenciosa" na igreja foi reduzido a alguns poucos segundos. O silêncio chega a ser constrangedor, e o dirigente quase se desculpa por isso....

Sem dúvida, o culto da Igreja Primitiva seria considerado hoje enfadonho demais: falta avivamento, diriam alguns... (não por mera coincidência, igreja chamada avivada é aquela que "mexe" com os irmãos).

O pastor, hoje, não pode mais ser um simples servo de Deus. Ele tem de ser um pouco artista, chamar a atenção da platéia sobre si. Não é mais o charisma referido por Paulo que é importante, mas é o carisma barato que diverte, faz rir e que, de preferência, não faça pensar.

Não, nada contra a alegria, a descontração, o belo aos olhos.... o perigo está na dessensibilização que começa a ocorrer a partir daí. Não sei o que os "caçadores de sensação" buscarão daqui pra frente. Logo vai cansar cair do Espírito, subir à montanha para ver folhas brilharem, etc. Vejam o dente de ouro: já passou a onda. Cansou.

Como o teólogo Kierkegaard já havia observado: quem vive sob o domínio da sensação tenta realizar todas as possibilidades, mas estas não lhe proporcionam mais do que uma atualidade transitória. A ameaça do tédio é perpétua e consequentemente a busca de novidades conduz, em última instância, ao desespero.

Rev. Daniel Rocha

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