DEIXA FALAR
Uma das lições mais difíceis da vida é
conseguir manter a serenidade e o bom humor enquanto sabemos que
alguém fala mal de nós. Somos, às vezes,
capazes de suportar tudo, menos a língua que se volta contra
a nossa pessoa.
Saber lidar com esta situação é um sinal
de que compreendemos que sempre teremos oposições,
haverá pessoas que não gostam de nós, e que
vez ou outra seremos mal compreendidos. E não é
qualquer um que passa por essa prova com um espírito manso
e tranqüilo.
Muitos falam por presunção, outros por estreiteza
da alma, outros porque têm baixa auto-estima e ao falar
de alguém se sentem de alguma forma superior – é
uma compensação que dá um prazer momentâneo.
E por último, falam, por uma razão muito simples:
nós também erramos – e é muito importante
admitir isso.
Não ceda ao impulso de responder à altura, de revidar,
de dar o troco. Pelo contrário, amontoe “brasas”
na cabeça de quem fala. Demonstre sua fé Naquele
que reina, sabe todas as coisas e que pesa o coração.
Esqueça, e dê de ombros, pois se falaram é
porque Deus permitiu e o Senhor pode transformar aquilo que foi
“mal dito” em “bem dito”.
Se chamaram a Jesus de glutão e beberrão, se rangiam
os dentes contra Davi, se Eliseu foi zombado por ser careca, se
a Paulo chamaram de louco, se Ana estava no templo orando em voz
baixa e o sacerdote Eli achou que ela havia “tomado todas”,
se a Timóteo desprezaram porque era jovem demais, se os
próprios irmãos de Moisés – Miriam
e Arão – reclamaram dele, e se os melhores amigos
de Jó insistiam que tinha coisa errada em sua vida, então
você está em boa companhia.
Não perca um só minuto de sono pelo que disseram
de você. Em Eclesiastes diz: “Não apliques
o coração a todas as palavras que se dizem”
(Ecl 7.21).
Quando o rei Davi passava com sua comitiva por uma cidade, saiu
um homem, cujo nome era Simei, que amaldiçoava o rei, atirava
pedras sobre ele e dizia repetidas vezes: “Fora daqui, homem
de sangue, homem de Belial” (2Sm 16.7). O chefe da guarda
de Davi indignou-se e disse “Por que amaldiçoaria
este cão morto ao rei, meu senhor? Deixa-me passar e lhe
tirarei a cabeça”. Mas Davi dá uma resposta
surpreendente: “Deixai-o; que amaldiçoe, pois o Senhor
lhe permitiu. Talvez o Senhor olhe para a minha aflição
e me pagará com bem a sua maldição deste
dia” (2Sm 16.12).
Nos desígnios ocultos de Deus foi permitido que aquele
homem, dotado de maldade em seu coração, proferisse
aquelas palavras. O motivo? Deus se serve do coração
dos maus para transformar a maldição intentada em
bênção divina. Davi sabia disto, conhecia
o seu Senhor, e deu de ombros à maldição
imprecada contra ele.
Creio que devemos agir assim também. Deus se agrada em
consolar e abençoar aos seus filhos que tem sofrido pela
maldade de outros. Só o Senhor pode transformar maldição
em bênção. Por isso, se falarem mal de você
por agir em amor, glorie-se no Senhor, pois Ele permitiu para
dar-lhe consolo e para que você busque somente o louvor
que vem da parte Dele..
Certa manhã um pai convidou o seu filho para um passeio
no bosque. Em certo momento o pai parou e perguntou: - Você
ouve alguma coisa?
E o filho respondeu: - Estou ouvindo um barulho de carroça.
-Isso mesmo, disse o pai, e uma carroça vazia.
O menino então pergunta: como você pode saber se
a carroça está vazia?
Ora, o pai respondeu. É muito fácil saber que uma
carroça está vazia por causa do barulho. Quanto
mais vazia, maior o barulho que faz. Aprenda a lição,
filho:
- Quando a pessoa fala demais, grita – com o propósito
de intimidar – trata o próximo com grossura, e quer
demonstrar que é dono da verdade absoluta, lembre-se da
carroça vazia.

Pr. Daniel Rocha
Pastor da Igreja Metodista e psicólogo
dadaro@uol.com.br
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