APONTAMENTOS SOBRE
UMA VIDA EXTRAVAGANTE
Esta
é uma geração de cristãos que tem
buscado novas formas de espiritualidade, novos modelos de culto
e se preocupado em descobrir novas maneiras de adorar ao Eterno.
Nessa busca, surgiu há alguns anos um movimento que ficou
conhecido como “adoração extravagante”,
uma tendência que abandona os padrões formais, e
busca maior liberdade e espontaneidade.
Confesso que nunca experimentei nada novo em matéria de
adoração, nunca me esparramei pelo chão,
não tive arrebatamentos que me levassem ao terceiro céu,
e não consigo repetir dezenas de vezes o mesmo refrão
de um cântico. Mas eu sei que para Deus, adoração,
antes de mais nada, é vida, e dela não pode estar
separada.
Numa recente entrevista, o pastor e escritor na área de
vida cristã, Eugene Peterson, disse que as pessoas que
mais o incomodam são aquelas que chegam e perguntam o que
elas têm de fazer para ser “mais espirituais”.
E ele lhes responde: - “Esqueça esse negócio
de ser espiritual. Que tal amar seu marido? Isso é um bom
começo”. Porém, ele conclui desalentado: “Mas
ninguém quer ouvir isso. Ninguém quer pensar em
aprender a amar os filhos e aceitá-los do jeito que são”.
Espiritualidade no sentido bíblico nada tem a ver com
uma forma diferente de orar, nem em ser batizado com a água
de um determinado rio, nem ouvir o sonido do “shofar”,
buscar êxtases, ou ser um asceta no mundo.
Desejas realmente agradar ao Único Senhor em tudo, e partilhar
de Sua verdade aos homens? Buscas de fato uma “espiritualidade”
que agrade profundamente ao Rei de toda a Terra? Anseias por alcançar
aquilo que é chamado por muitos, de intimidade com Deus?
Eis aqui alguns apontamentos que podem ser úteis nesse
propósito:
Em primeiro lugar, ama extravagantemente. Ama sem esperar reciprocidade.
Ainda que tenhas dons extraordinários, nunca te esqueças
que é pelo amor e através do amor que o mundo olhará
para ti como um autêntico discípulo de Jesus.
Perdoa sem reservas. Lembra-te que um dia fostes um devedor que
não tinha como saldar uma dívida impagável,
mas Jesus foi e a rasgou na cruz. E ainda o recebeu com teus defeitos
e pecados.
Confessa-te pecador! Reconheça que em ti não reside
bem algum, e se porventura enxergarem algo bom em sua vida, declare
sem pestanejar que isso é integralmente obra do Espírito
Santo.
Delicia-te com o fato de, mesmo pobre e desprezível aos
olhos do mundo, ser possuidor da maior honraria que uma pessoa
pode receber: ser chamada de filho de Deus.
Apazigua o teu coração na maravilhosa Graça
divina, pois através dela não há nada que
você possa fazer para ser mais amado pelo Eterno, e mesmo
diante dos teus erros Ele continua a amá-lo de igual modo.
Lambuza-te com a Palavra, coma-a prazerosamente e sem prevenção.
Digira em tuas entranhas esse santo maná e deixa-a manifestar-se
nos teus membros na forma de uma vida em tudo agradável
a Deus.
Conspira tenazmente contra toda forma de injustiça. Não
te submetas aos dominadores, e não te cales diante dos
poderosos.
Oferta generosamente! Não porque tema que “gafanhotos”
saltarão das páginas do Antigo Testamento para assombrar
tua vida, mas porque possuis em ti o espírito do Evangelho
que considera tudo pertencente ao Pai. Por isso, ofereça
a Deus, despojadamente, tudo o que és.
Rejeita qualquer forma de discriminação. Pratica
o amor inclusivo de Jesus e seja como o servo que sai pelas ruas
e becos da cidade trazendo os pobres, os aleijados, os cegos e
os coxos” (Lc 14.21) para que a Casa do Pai fique cheia.
E Ele se alegrará em ti.
Confronta destemidamente os pregadores da prosperidade, os enganadores
dos simples, e os que pensam ser alguma coisa, e nada são.
Desmascara-os publicamente e não temas se disserem: “não
toqueis o ungido do Senhor”. Lembra-te: és tu que
verdadeiramente tem a unção do Alto, não
eles.
Depois de tudo isso, (e somente depois), já não
importará mais a forma da tua adoração, não
importará se ajoelhas, se levanta as mãos, se entoa
canções audíveis ou apenas balbucia trechos
bíblicos quase inaudíveis, se balanças suavemente
o teu corpo ao ritmo da música, ou se permaneces imóvel
como que vendo o Invisível... sim, vá em paz, o
Eterno já aceitou a adoração da tua vida,
antes mesmo que adentrasses o templo do Senhor.

Pr. Daniel Rocha
Pastor da Igreja Metodista e psicólogo
dadaro@uol.com.br
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