A MÚSICA QUE DEUS NÃO OUVE
Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos,
porque não ouvirei as melodias das tuas liras....”
(Am 5.23)
Deus não tem predileção por nenhum tipo
de música em especial, seja ela do século XIX, do
século XX, nem da década de 60, 70 ou 80, nem do
Hinário Evangélico, Cantor Cristão ou Harpa
Cristã.
Javé não tem preferência de ritmo, seja ele
xote, baião, rock, balada, pop, mpb, sertaneja, rap, samba-canção,
negro spiritual, reggae ou jazz.
Ao Eterno não importa se é solo, dueto, quarteto,
coral, grupo vocal, grupo instrumental, música de câmara,
música orquestrada, à capela, acústico ou
canto gregoriano.
Aquele que Reina não está preocupado se a música
é entoada num estádio, num templo, num mega-templo,
num teatro, na rua ou na sala do irmão que abriu a porta
de sua casa.
Erra quem privilegia apenas as composições de séculos
passados, e desafina quem despreza tudo o que foi feito de bom
em outras épocas. Em todas as gerações há
escolhidos de Deus para lhe prestar louvor através de composições
que falam ao seu tempo.
Sem dúvida, o cântico espiritual nos leva ao deleite
em Deus, nos deixa enternecidos, acende uma chama que transforma
corações em altares, abre o caminho para a adoração,
purifica nossa alma dos maus desejos, nos torna sensíveis
à Palavra, e enleva-nos ao céu em meio a acordes
harmoniosos e vozes maviosas.... Sim, a verdadeira adoração
envolve todo o nosso ser. É inegável o poder da
música sobre nós. O profeta Eliseu, antes de pregar/profetizar
pedia um músico para tocar uma harpa, e quando este tocava,
“o poder de Deus vinha sobre ele” (2Rs 3.15).
A música produz sentimentos e emoções, mas
para edificar, deve vir acompanhada de um ensino bíblico
correto para que tenha efeitos duradouros e permanentes, e não
fugazes. Paulo ensina: “orarei com o espírito, mas
também orarei com a mente; cantarei com o espírito,
mas também cantarei com a mente” (1Co 14.15).
Entretanto, há um tipo de cântico que incomoda tremendamente
a Deus, mesmo que seja afinado, harmonioso e bem ensaiado, mas
que aos ouvidos do Eterno, não passa de ruído ensurdecedor:
Deus não aceita que o louvor esteja divorciado da vida.
Aí a música se transforma em estrepitosa perturbação
e Ele diz claramente: “Afasta de Mim o estrépito
dos teus cânticos” (Amós 5.23a).
Duvido que Deus esteja interessado em nossas teorias e técnicas
de adoração, danças, luzes e efeitos especiais.
Se a adoração não expressar aquilo que eu
vivo diariamente ela não interessa ao Rei! Se o nosso coração
não é tocado pelo que Deus é, então
o melhor a fazer é não fingir e ficar calado. Não
é a forma nem a técnica, mas se o meu coração
está caminhando diariamente em direção ao
alvo, que é Cristo.
Nunca se cantou tanto na história da Igreja; nunca se
viu tanta gravação, shows, instrumentos, aparelhagens,
qualidade e produção. Mas também nunca se
viu tanta superficialidade, emoções manipuladas
e sentimentos tão efêmeros e passageiros embalados
por canções vazias. Não é cantar “a
respeito” de Deus, mas cantar para Ele, relacionar-se cotidianamente
e intimamente com Ele. Não é a forma, é a
essência. Se não estivermos em harmonia com o Espírito
Santo em nosso cotidiano, não será na adoração
que vamos conseguir “agradar” a Deus. Não é
a música o fator central, nem os instrumentos, nem a bela
voz.... é a minha vida que Deus está olhando.
Vivemos numa geração de músicos que melhorou
a qualidade instrumental e vocal, melhorou a qualidade de produção,
mas não aconteceu o mesmo com o conteúdo. É
sabido que todo produtor musical quer agradar os ouvidos de muitos,
mas é duvidoso que consiga agradar Aquele que realmente
importa. Jesus fez da Ceia um memorial eterno para ser lembrado
pelo seu povo que se reúne em todos os cantos da Terra.
Quantos cânticos você conhece falando do “pão
e do vinho”? O Batismo é o ato que acompanha a declaração
da fé em Jesus, é o rito mais importante da vida
do crente. Quantas canções você conhece falando
do “batismo”?
Todos estranhariam se um pastor pregasse todos os domingos sobre
o “pecado” e nada falasse sobre os inúmeros
aspectos que compõe a vida cristã. Soa muito estranho
que os CDs Gospel se detenham apenas em um ou dois temas vendáveis,
tais como “poder” e “unção”,
e se calem sobre a multiforme realidade da vida cristã.
Sim, que edifiquem o povo de Deus falando de unção
e poder, mas falem também da ceia, do batismo, da oferta,
do riso, do mar, da terra, dos lírios, dos filhos, da solidão,
dos encontros, dos desencontros, da bíblia, da amizade,
do trabalho, da comida, do namoro, do prazer de brincar, de abraçar,
de rolar no tapete com o filho....
Nosso modelo é Jesus. E Ele, que veio do céu, falava
das coisas da Terra, para dar a entender as realidades espirituais.
Falava de sementes, farinha, fermento, vinho, festa, banquete,
ovelha, sal, árvore, pão, peixe, corpo, da tranqüilidade
dos pássaros.... sobre o céu, apenas breves sussurros.
Nós que só conhecemos a Terra, falamos à
exaustão de “querubins e serafins”, de “sala
do trono”, e seu quiser o favor do Rei (e eu quero), me
pedem para eu tocar numa “ponta do altar”....
O que eu estou cantando? O que eu estou vivendo? Por favor, Senhor,
não feche os Seus ouvidos à canção
que estou compondo com a minha vida, que ela seja agradável
à Ti, e não me repulses da Tua presença.
Pr. Daniel Rocha
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